(Portugiesischer Text von Gleice Mere; Übersetzung und Ergänzungen von Andreas Schlothauer)

(TI = Terra Indigena)

Os índios Kanoê são hoje um grupo de menos de 200 pessoas. Em sua maioria vivem nas Terras Indígenas Guaporé, Rio Branco e Omerê, a oeste do estado de Rondônia, próximo à fronteira com a Bolívia.

Die Kanoê sind heute eine Gruppe von weniger als 200 Personen. Der größere Teil lebt in den Terras Indígenas Guaporé, Rio Branco (zwei Familien) und Omerê (3 Personen), im Westen des Bundeslandes Rondônia, nahe der Bolivianischen Grenze. Die genaue Personenzahl ist nicht einmal der FUNAI (Brasilianische Indianerschutzbehörde) bekannt.

Sua terra de origem era a região do Rio Omerê, perto do Rio Pimenta Bueno. Por volta de 1940 foram levados, juntamente com outras etnias, pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), para o Posto Indígena Ricardo Franco, hoje chamado de Posto Indígena Guaporé. Local onde foram agrupadas diversas etnias. Por esta razão os Kanoê realizaram casamentos com outras etnias e deixaram de falar sua língua materna.

Ihr ursprünglicher Lebensraum war die Region am Rio Omerê, nahe dem Rio Pimenta Bueno. Um 1940 mussten sie das Gebiet, gemeinsam mit anderen Ethnien verlassen. Diese Vertreibung wurde durch den damaligen Indianerschutzdienst SPI organisiert. Sie zogen damals an den Indianerposten 'Ricardo Franco', heute 'Posto Indigena Guaporé' genannt. Ein Ort, an dem heute verschiedene Ethnien zusammen leben. Aus diesem Grund verheirateten sich die Kanoê mit anderen Ethnien und vergaßen ihre Muttersprache.

Fotogalerie ein-ausblenden

Fotogalerie 1.Kontakt zwischen den Canoe der TI Rio Branco, TI Guapore und TI Omere

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com UND http://pib.socioambiental.org/en/povo/kanoe/342, Marcos Mendes/AE

Durch Klick auf Vorschaubilder öffnet sich Vollbild.

Grün: Die demarkierten Indianergebiete Rio Guapore, Rio Branco und Rio Omere, letzteres aber 2009 immer noch nicht ratifiziert
Demarkations-Schild der FUNAI (Terra Indigena Omere)

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Txinamanty (Purás Schwester), ihr Sohn Bwquá, Ricardo Kanoê, Linguist Laércio Nora Bacelar

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Purá mit Federschmuck bei den letzten Details

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Txinamanty Und Purá beim ersten offiziellen Kontakt 1995

Bildquelle u./o. Fotograf: http://pib.socioambiental.org/en/povo/kanoe/342, Marcos Mendes/AE, 1995, Kanoê officially contacted for the first time on the Omerê stream.

Jose Augusto Kanoê aus dem Guaporégebiet, beim Bündeln von Palmfasern

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Rechts: Francisco Kanoê, der Opa von Jose Agusto

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Purá und der Linguist Laércio Nora Bacelar

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Ordnen der Buriti-Fasern

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Canoe-Unterricht für den Linguisten Laércio Nora Bacelar

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Purá in vollem Tanzschmuck und sein Neffe Bwquá

(c) 08-2008, Gleice Mere, www.gleicemere.com

Desde 1985 a FUNAI suspeitava que na região do Rio Omerê havia um pequeno grupo de índios sem contato com a sociedade envolvente. Em um processo de ocupação e exploração de madeira, fazendeiros que tinham interesse nas terras do Rio Omerê destruíam os vestígios de plantações, casas e demais artefatos que pudessem comprovar a presença de grupos indígenas até então não contatados, os chamados índios isolados. Somente em 1995 foi possível fazer contato com uma família de cinco indígenas que, durante anos, estiveram fugindo da perseguição dos fazendeiros e madeireiros. Em um processo conflituoso foi possível proteger os remanescentes que, mais tarde, constatou-se serem índios Kanoê.

Seit 1985 vermutete die FUNAI, dass in der Region des Rio Omerê eine kleine isolierte Gruppe von Indianern lebt. In diesem Prozess der Landbesetzung und Abholzung, zerstörten 'Fazendeiros' (Großgrundbesitzer), die Interesse am Land des Rio Omerê-Gebietes hatten, die Spuren, Häuser und außerdem alle Gegenstände, die die Anwesenheit einer, noch nicht kontaktierten, isolierten Indianischen Gruppe belegen könnten. Erst im Jahr 1995 wurde mit einer Familie von 5 Personen Kontakt hergestellt, denen es gelungen war, während dieser Jahre der Verfolgung den Fazendeiros und Holzfäller auszuweichen. In einem konfliktreichen Prozess gelang es die Überlebenden zu schützen. Es stellte sich später heraus, dass es Kanoê waren.

Apesar de estar demarcada a Terra Indígena Omerê nunca foi homologada pelo Presidente da República. Em função disso até o presente momento fazendeiros criam gado dentro do Omerê, onde vivem hoje os três índios Kanoê isolados, os últimos falantes da língua Kanoê: dois irmãos; uma mulher, Txinamanty, um homem, Purá e o filho de Txinamanty, Bwquá.

Auch wenn das TI Omerê heute demarkiert ist, wurde es bisher nicht durch den Brasilianischen Präsidenten offiziell anerkannt (Ratifizierung). Daher treiben bis heute die Fazendeiros ihr Vieh durch das Omerê-Gebiet, in welchem die drei isolierten Kanoê leben, die letzten lebenden Sprecher der Kanoê-Sprache: zwei Geschwister; eine Frau, Txinamanty, und ein Mann, Purá und der Sohn von Txinamanty, Bwquá.

Nicht nur die Sprache, auch die traditionelle materielle Kultur der Kanoê ist in den TI Guaporé und TI Rio Branco verschwunden. Kein Ethnologe und kein FUNAI-Mitarbeiter hat in der Zeit seit dem Erstkontakt 1995 eine Sammlung gemeinsam mit den Kanoê angelegt.

Für den Besuch im Juni 2009 werden von Txinamanty, Purá und Bwquá einige Gegenstände ihrer Kultur hergestellt. Die Kanoê der TI Guaporé und TI Rio Branco nehmen an der Herstellung der Stücke teil und lernen so vergessenes handwerkliches Wissen. Die Herstellung wird teilweise durch Gleice Mere, teilweise durch die Kanoê selbst fotografisch und filmisch dokumentiert. Diese Sammlung und die Dokumente werden die, von Etta Becker-Donner in den 1950iger mitgebrachten Kanoê-Sammlungen des Museums für Völkerkunde Wien ergänzen.

Na Terra Indígena (TI) Rio Branco há duas famílias de índios Kanoê. Dois irmãos que migraram para a região nos anos 80, durante o processo de demarcação. Esses foram levados pelo exército para a prestação de serviços e casaram-se com índias de outras etnias, o que os levou a permanecer no local.

Im TI Rio Branco gibt es zwei Kanoê-Familien. Zwei Brüder, die, während der Demarkation in den 1980iger Jahren, in diese Region wanderten. Diese wurden von der Armee für Dienstleistungen mitgenommen und verheirateten sich mit Angehörigen anderer Ethnien, die dort bereits geblieben waren.

Na TI Guaporé o atual líder é José Augusto Kanoê. A pedido dos Kanoê do Rio Branco ele acompanhou seu avô, Francisco Kanoê, ao primeiro encontro de resgate cultural na Terra Indígena Omerê.

Im TI Guapore ist der aktuelle Leiter Jose Augusto Kanoê. Auf Bitte der Kanoê des TI Rio Branco begleitete er seinen Großvater, Francisco Kanoê, zum ersten Treffen seit der Kontaktaufnahme 1995 mit den Kanoê des TI Omerê. Für diese Reise, unterstützt durch die FUNAI-Abteilung 'Isolierte Indianer' (Departamento de Indios Isolados) wurde im Rahmen des Guaporé-Projektes Geld zur Verfügung gestellt.

O encontrou durou dez dias e o lingüista Kanoê, Laércio Barcelar pôde estar presente durante a visita, o que facilitou a comunicação, visto que Francisco Kanoê pouco fala Kanoê e os demais Kanoê falam somente português.

Das Treffen dauerte 10 Tage und der Kanoê-Linguist, Laércio Barcelar, konnte während des Treffens anwesend sein. Dies erleichterte die Kommunikation, da Francisco Kanoê nur wenig Kanoê sprechen kann und die anderen Kanoê ausschließlich Portugiesisch sprechen.

Durante os encontro, que também foi freqüentado or Rui Kanoê, que vive na TI Rio Branco, os Kanoê tiveram oportunidade de conhecer seus parentes. Durante o dia faziam artesanato e durante a noite tinham aula de Kanoê. Conversavam através de gestos, com auxílio do lingüista e de algumas expressões conhecidas por Francisco Kanoê.

Während des Treffens, an welchem auch Rui Kanoê teilnahm, der im TI Rio Branco lebt, hatten die Kanoê die Gelegenheit ihre Verwandten kennen zu lernen. Währende des Tages machten sie Gegenstände ihrer materiellen Kultur und während der Nacht hatten sie Kanoê-'Sprachunterricht'. Sie unterhielten sich mittels Gesten, mit Hilfe des Kanoê-Linguisten und einiger Ausdrücke, an die sich Francisco Kanoê erinnerte.

Não podemos afirmar ao certo até que ponto os Kanoê do Omerê compreenderam o motivo da visita, visto que esses não falam português e a língua Kanoê foi pouco estudada. Além disso têm uma visão de mundo pouco conhecida por nós, visto que seu universo se limita às matas onde cresceram e foram perseguidos. No entanto pôde-se observar a alegria de Purá. A princípio tímido, cada dia foi se alegrando com os visitantes. Passou a se enfeitar com penas e roupas de buriti, como fazia antes, dormiu todos os dias na casa da Funai onde os demais Kanoê estavam hospedados.

Wir können nicht sicher bestätigen, bis zu welchem Punkt die Kanoê des TI Omerê das Motiv unseres Besuches verstanden, da diese nicht Portugiesisch sprechen und die Kanoê-Sprache wenig erforscht ist. Deswegen haben sie einen Blick auf die Welt, der uns kaum bekannt ist. Trotz dieser Verständigungsprobleme war die Freude von Purá deutlich wahrzunehmen. Am Anfang ängstlich, wurde er jeden Tag fröhlicher mit den Besuchern. Geschmückt mit Federn und buriti-Fasern, welche er vorher gemacht hatte, schlief er all die Tage im Haus der FUNAI, in welchem die anderen Kanoê untergebracht waren.

A mulher Kanoê, Txinamanty, é mais retraída. Sofreu muito com a perda simultânea de sua mãe e seu primeiro filho, no início de 2003. Esses morreram com malária. Mesmo assim, dia a dia ela aparecia nas instalações da Funai, que tem somente funcionários homens. É clara a percepção de que Txinamanty sente falta de uma presença feminina.

Die Kanoê-Frau, Txinamanty, war scheuer. Sie leidet sehr unter dem gleichzeitigen Tod ihrer Mutter und ihres ersten Sohnes, Anfang des Jahres 2003. Diese starben an Malaria. Trotzdem erschien sie Tag für Tag am FUNAI-Posten, an welchem sich nur Männer aufhalten. Es ist deutlich wahrzunehmen, dass Txinamanty die Anwesenheit von Frauen fehlt.

Por esta razão, no próximo encontro, em fevereiro de 2009, quatro índios Kanoê visitarão o Omerê para um segundo intercâmbio. Serão José Augusto Kanoê, um ancião Kanoê e uma mulher com criança, para fazerem companhia a Txinamanty e Bwquá. Assim, espera-se, poderão aprender artesanato com Txinamanty, visto que há diversos artefatos que são manufaturados somente por mulheres.

Daher sollen beim nächsten, zweiten Treffen, im Februar 2009, vier Kanoê das TI Omerê besuchen. Es werden Jose Augusto Kanoê, ein alter Kanoê und eine Frau mit Kind sein, um Txinamanty und Bwquá Gesellschaft zu leisten. So, hoffen wir, können sie traditionelle Gegenstände mit Txinamanty herstellen. Es gibt viele Gegenstände, die nur von Frauen gemacht werden.

Os Kanoê são perfeccionistas e vaidosos. Quando saem estão sempre acompanhados de seu arco e flecha, para o caso de aparecer algum animal que possa ataca-los ou que possa ser abatido para a refeição.

Die Kanoê sind Perfektionisten und sehr körperbewusst. Sie baden sich jeden Tag und schmücken sich gern. Wenn sie weggehn, haben sie immer Bogen und Pfeile mit, für den Fall, dass irgendein Tier erscheint, dass sie angreifen können oder als Mahlzeit taugen könnte.

É impressionante a doçura dessas pessoas, que não compreendem a relação do dinheiro e do apego aos bens materiais. Ver Purá cantar e dançar é, sem exagero, como ver um anjo ecoar suas canções sobre a terra. Vejo a oportunidade do resgate cultural dos Kanoê, proporcionado pelo projeto Guaporé, como uma das últimas chances de divulgar a cultura e valores de sociedades distintas zweierlei das sociedades ocidentais e que somente devido ao isolamento puderam alcançar o século XXI.

Die Sanftmut dieser Personen ist beeindruckend. Sie haben keinerlei Beziehung zu Geld und keine Neigung zu materiellen Besitz. Purá tanzen und singen zu sehen, ist ohne Übertreibung, als würde man einen Engel seine Gesänge über die Erde anstimmen hören.

Siehe auf der Videoseite: Purá beim Tanz.

Diese Möglichkeit einer kulturellen Rückbesinnung und Stärkung der Kanoê im Rahmen des Guaporé-Projekte war am Beginn desselben nicht vorhersehbar. Eine, der wenigen Gelegenheiten die Werte derartiger Gesellschaften, die so anders sind wie unsere Welt, wahrzunehmen und der Öffentlichkeit mitzuteilen.

Weiterführende Links

Vielen Dank an Dr. Andreas Schlothauer und Gleice Mere.

Verpflichtende Zitierweise zum Artikel

1.Kontakt zwischen den Canoe der TI Rio Branco, TI Guapore und TI Omere; Dr. Andreas Schlothauer, Gleice Mere; 2010; https://www.about-africa.de/guapore-projekt-2009/guapore-vorgeschichten/563-erster-kontakt-zwischen-canoe-rio-branco-guapore-omere

Nutzungsrechte / Urheberrechte

Beachten Sie die Rechte des / der Urheber! Wenn Sie Artikel übernehmen wollen, fragen Sie nach! About Africa leitet Ihre Anfrage dann gerne an die/den Urheber weiter.

Bei korrekter Zitierweise ist die Übernahme von kleineren TEXT-Ausschnitten ohne Rückfrage erlaubt.

Bilder und andere multimediale Inhalte bedürfen immer der Freigabe durch den/die Urheber.

Disclaimer

Viele Autoren, viele Meinungen! about-africa.de ist nicht verantwortlich für Richtigkeit der angezeigten Inhalte. Wir entfernen natürlich Falsches oder kommentieren im Text, wenn etwas zu hinterfragen ist, jedoch nur soweit wir es beurteilen können oder uns widersprüchliche Ansichten bekannt sind. Wir sind keine Fachleute und sind nicht in der Lage, Fachwissen im Detail auf Richtigkeit zu prüfen. Wir sind jederzeit bereit, Gegenreden zu veröffentlichen.